sábado, 3 de dezembro de 2011

(in)compreensível

 Por vezes pensamos que temos tudo nas nossas mãos, que possuímos das coisas e das pessoas mais incríveis que poderiam existir. Mas como tudo, as acções  fazem parte dos factos, e há acções que nos partem o coração.
Sempre me caracterizei como uma sonhadora: quando estou a ouvir a música perfeita para o momento, fecho os olhos e vejo o filme que eu sempre quis que acontecesse, mas que nunca aconteceu. Nesse filme tudo é perfeito, a chuva, o abraço, o toque e as palavras únicas marcam o momento, mas não marcam a realidade. 
Acho que me aconteceu pela primeira vez a ansiedade única de querer tanto um momento que eventualmente por outros motivos não podia chegar. Mas quando finalmente está para acontecer, toda aquela fervura e toda aquela ansiedade desapareceu. Para onde foi tudo isto? É confuso, de certa maneira incompreensível. Forçamo-nos tanto para que o tempo passe rápido, fazemos a tal contagem decrescente para parecer que estamos 3 ou 4 dias adiantados. Isto deixa-me definitivamente assustada! Talvez o problema foi tudo parecer perfeito, até que certa altura percebes que só é perfeito de uma das partes pois da outra é tudo fachada. É angustiante saber que maior parte das vezes nem dormiste para dar tudo de ti, que estavas sempre  numa espera incontrolável de uma resposta e no final recebes uma resposta sem compensação depois de todo o teu esforço para te manteres acordada. É ainda mais angustiante saber que todas as pessoas que te rodeiam te avisaram e tu nem quiseste tomar atenção, preferias ter os teus ataques irritantes de felicidade.
Esforçei-me mil e uma vez para ter tempo para falarmos. Deixei de fazer certas coisas só para ter tempo para  me sentir feliz.
Será por inúmeros esforços sem compensações que a tal enorme ansiedade se foi embora sem dar pelo menos uma explicação?  Ou será pelo facto de eu perceber que todos estes esforços não eram merecidos?

P.S. Estou a ouvir a música perfeita para o momento, e desta vez não, não fechei os olhos e sonhei. Senti-me na minha verdadeira realidade. 

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